Como o turismo pode ajudar no desenvolvimento econômico e social do Brasil? - Turismo & Ideias

Como o turismo pode ajudar no desenvolvimento econômico e social do Brasil?

Entenda como o turismo pode gerar empregos, movimentar economias locais, qualificar profissionais e contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Quando pensamos no desenvolvimento do Brasil, normalmente pensamos em indústria, agricultura, tecnologia, infraestrutura, educação e tantos outros setores fundamentais para o crescimento do país.

Mas existe uma atividade que reúne características muito particulares: o turismo.

O Brasil possui uma diversidade natural, cultural e territorial que poucos países conseguem oferecer. Temos praias, florestas, montanhas, cidades históricas, gastronomia, festas populares, manifestações culturais, patrimônio, música, natureza e modos de vida completamente diferentes entre regiões.

Temos potencial.

Mas potencial, sozinho, não gera desenvolvimento.

É preciso transformar essa riqueza em experiências, produtos, negócios, empregos e oportunidades.

E é justamente aí que o turismo pode assumir um papel estratégico.

O próprio Ministério do Turismo define como propósito promover um turismo sustentável, inclusivo e inovador que contribua para o desenvolvimento econômico e social do país. A legislação brasileira também reconhece o turismo como uma atividade capaz de gerar movimentação econômica, trabalho, emprego, renda e receitas públicas.

Turismo não é apenas viajar. É uma atividade econômica que acontece dentro dos territórios e pode transformar a vida de quem vive neles.

Mais visitantes significam mais atividade econômica

Imagine uma família chegando a uma pequena cidade brasileira para passar um fim de semana.

Ela se hospeda em um hotel.

Almoça em um restaurante.

Compra um produto artesanal.

Contrata um guia.

Visita um atrativo.

Abastece o carro.

Toma um café.

Talvez compre produtos locais antes de voltar para casa.

Para o visitante, são apenas algumas decisões durante uma viagem.

Para o destino, cada uma delas representa uma atividade econômica.

É por isso que o turismo possui uma característica tão importante: o gasto do visitante pode circular por diferentes setores da economia local.

O turismo envolve diretamente atividades como hospedagem, alimentação, transporte, agenciamento, eventos e atrativos, mas seus efeitos podem alcançar muitos outros negócios.

O Plano Nacional de Turismo destaca justamente essa característica da atividade, que envolve dezenas de segmentos diretos e outros tantos indiretos da economia.

Quando conseguimos aumentar o número de visitantes e fazer com que eles permaneçam mais tempo no destino, consumam mais produtos e tenham boas experiências, estamos movimentando uma cadeia muito maior do que aquela que tradicionalmente chamamos de “setor turístico”.

Turismo também é geração de emprego

Esse impacto aparece de forma muito concreta no mercado de trabalho.

Em 2025, as atividades características do turismo registraram aproximadamente 2,39 milhões de vínculos formais de trabalho no Brasil, representando 4,9% das ocupações formais da economia. O resultado superou a meta estabelecida pelo próprio Ministério do Turismo para o ano.

Mas o mais interessante é observar onde essas oportunidades aparecem.

Alimentação, hospedagem e transporte estão entre as atividades que mais concentram empregos relacionados ao turismo. Em 2025, o setor registrou cerca de 1,9 milhão de admissões com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged analisados pelo Ministério do Turismo.

Isso significa que falar em desenvolvimento turístico é também falar em trabalho e renda.

E existe algo ainda mais importante: muitas dessas oportunidades podem ser criadas fora dos grandes centros urbanos.

O turismo pode levar oportunidades para diferentes territórios

Essa talvez seja uma das maiores forças do turismo para o desenvolvimento brasileiro.

Uma indústria tradicional normalmente precisa de determinadas condições para se instalar.

O turismo funciona de outra maneira.

Uma pequena cidade pode não ter uma grande indústria, mas pode ter uma festa tradicional.

Pode ter uma produção gastronômica característica.

Pode ter uma paisagem singular.

Pode ter uma propriedade rural com potencial para receber visitantes.

Pode ter patrimônio histórico.

Pode ter artesãos, artistas, produtores, cozinheiros, guias e empreendedores capazes de criar experiências.

O território é o principal ativo do turismo.

E isso abre possibilidades para que municípios de diferentes tamanhos encontrem caminhos próprios para participar da economia turística.

O turismo pode ajudar a descentralizar oportunidades e fazer com que recursos circulem por lugares que muitas vezes ficam fora dos grandes fluxos econômicos.

Mas potencial turístico não basta

Ter uma cachoeira não significa ter um produto de turismo de natureza.

Ter uma festa tradicional não significa necessariamente ter um evento turístico estruturado.

Ter uma receita típica não significa ter uma experiência gastronômica pronta para receber visitantes.

E ter um patrimônio histórico não significa que ele esteja preparado para ser visitado.

Essa diferença é fundamental.

O desenvolvimento turístico acontece quando conseguimos transformar recursos do território em produtos e experiências organizados, acessíveis, comercializáveis e capazes de gerar valor.

Isso exige planejamento.

Exige infraestrutura.

Exige gestão.

E, principalmente, exige pessoas preparadas.

Capacitação profissional é parte do desenvolvimento

Não existe destino turístico competitivo sem profissionais qualificados.

Podemos ter o melhor atrativo do mundo. Se o visitante for mal recebido, encontrar informações desencontradas, não conseguir se comunicar ou tiver uma experiência ruim, dificilmente voltará ou recomendará aquele destino.

Por isso, investir em turismo também significa investir em pessoas.

É preciso preparar profissionais para trabalhar com:

  • atendimento e hospitalidade;
  • gestão de negócios;
  • idiomas;
  • gastronomia;
  • condução de visitantes;
  • criação de experiências;
  • comercialização;
  • marketing;
  • tecnologia;
  • sustentabilidade;
  • gestão pública do turismo.

Essa necessidade é reconhecida também nas políticas nacionais. O planejamento estratégico do Ministério do Turismo estabelece entre seus objetivos a formalização e a qualificação contínua dos profissionais e gestores do setor.

E existe uma razão para isso.

Um destino melhor preparado consegue entregar uma experiência melhor.

E uma experiência melhor aumenta as chances de o visitante permanecer, consumir, recomendar e voltar.

Um visitante satisfeito pode trazer outros visitantes

É aqui que capacitação e crescimento da demanda se encontram.

Imagine dois destinos com atrativos semelhantes.

No primeiro, o visitante encontra profissionais preparados, informações claras, serviços organizados, experiências interessantes e hospitalidade.

No segundo, encontra dificuldade para obter informações, serviços pouco estruturados e experiências que não correspondem às suas expectativas.

Qual dos dois terá maior chance de receber novamente esse visitante?

Qual será mais recomendado?

Qual terá mais facilidade para construir uma reputação positiva?

Atrair visitantes é importante. Saber recebê-los é fundamental.

Por isso, uma estratégia de desenvolvimento turístico não pode pensar apenas em promoção.

É preciso trabalhar toda a jornada do visitante.

Da inspiração à chegada.

Da chegada à experiência.

Da experiência à recomendação.

E da recomendação ao retorno.

Turismo também pode fortalecer a cultura e a identidade brasileira

Desenvolvimento não significa apenas aumentar números.

O turismo pode contribuir para valorizar aquilo que torna cada território diferente.

Uma festa popular.

Uma tradição.

Uma receita.

Uma manifestação artística.

Um patrimônio histórico.

Um modo de produzir.

Uma paisagem.

Uma história que passa de geração em geração.

Quando esses elementos são reconhecidos e valorizados, eles podem ganhar novas possibilidades de preservação e geração de renda.

Mas existe um cuidado importante: transformar cultura em turismo não significa descaracterizá-la para atender ao visitante.

O desafio é justamente criar experiências turísticas que respeitem a identidade do território e valorizem as pessoas que fazem parte dele.

Quando isso acontece, o visitante conhece algo autêntico e a comunidade encontra novas formas de valorizar aquilo que já possui.

O turismo pode ajudar a desenvolver pequenos negócios

Outro aspecto importante é a capacidade do turismo de criar oportunidades para o empreendedorismo.

Nem todo mundo que participa da economia turística precisa trabalhar em um grande hotel ou em uma empresa de grande porte.

O visitante pode consumir de um pequeno restaurante.

Contratar um guia local.

Comprar artesanato.

Conhecer uma propriedade rural.

Participar de uma oficina.

Comprar um produto regional.

Contratar uma experiência.

Isso permite que diferentes tipos de empreendedores encontrem espaço dentro da cadeia turística.

E quanto mais estruturada estiver essa cadeia, maior a possibilidade de que o dinheiro gasto pelo visitante permaneça e circule no próprio território.

Precisamos de mais turistas — mas precisamos estar preparados para recebê-los

O Brasil ainda possui um enorme espaço para ampliar seus fluxos turísticos.

O turismo doméstico é especialmente importante: o Plano Nacional de Turismo 2024–2027 estabelece como meta aumentar de 93 milhões para 150 milhões o número de viagens de brasileiros dentro do país até 2027.

Ao mesmo tempo, o turismo internacional também representa uma oportunidade importante para a economia brasileira.

Mas existe uma questão que precisa acompanhar qualquer estratégia de crescimento:

estamos preparados para receber mais visitantes?

Não adianta apenas investir em divulgação.

É preciso ter destinos estruturados.

Profissionais qualificados.

Produtos turísticos competitivos.

Infraestrutura.

Acessibilidade.

Informação.

Segurança.

Serviços.

E capacidade de transformar a visita em uma experiência que gere valor para quem visita e para quem vive no destino.

O desenvolvimento turístico começa no município

É fácil falar em turismo brasileiro pensando apenas em grandes destinos.

Mas o turismo acontece nos territórios.

É no município que o visitante dorme.

É ali que ele come.

É ali que compra.

É ali que contrata serviços.

É ali que conhece a cultura local.

É ali que deixa parte dos recursos que movimentam a economia.

Por isso, pensar no desenvolvimento do turismo brasileiro também significa fortalecer a capacidade dos municípios de planejar e gerir o turismo.

É necessário conhecer o território, identificar oportunidades, estruturar produtos, qualificar profissionais, organizar a oferta e criar estratégias de longo prazo.

Não existe um único caminho.

Cada cidade possui uma vocação, uma identidade e uma realidade própria.

Turismo precisa de planejamento para gerar desenvolvimento

turismo

Esse talvez seja o ponto central de toda essa discussão.

Não basta ter potencial.

Não basta divulgar.

Não basta aumentar o número de visitantes.

É preciso transformar crescimento em desenvolvimento.

E isso exige planejamento.

Um município que conhece seus recursos consegue definir prioridades.

Um destino que conhece seus visitantes consegue criar produtos melhores.

Uma empresa que conhece seu mercado consegue se preparar.

Um profissional capacitado consegue entregar mais valor.

E uma gestão pública que trabalha de forma integrada consegue criar condições para que toda essa cadeia se desenvolva.

O turismo pode gerar resultados extraordinários, mas eles não acontecem por acaso.

Eles são construídos.

Um Brasil mais desenvolvido também pode ser um Brasil que conhece melhor seus territórios

Neste 7 de Setembro, quando celebramos a Independência do Brasil, talvez seja interessante pensar também sobre aquilo que nos torna um país tão singular.

O Brasil não é apenas um território enorme.

É uma soma extraordinária de territórios diferentes.

São histórias, culturas, paisagens, sabores, tradições e pessoas que fazem de cada região um lugar único.

O turismo pode ajudar o Brasil a transformar essa diversidade em oportunidades.

Pode gerar empregos.

Pode estimular novos negócios.

Pode qualificar profissionais.

Pode movimentar economias locais.

Pode valorizar nossa cultura.

Pode fortalecer pequenos municípios.

Pode fazer com que mais brasileiros conheçam o próprio país.

E pode fazer com que mais pessoas do mundo inteiro queiram conhecê-lo também.

Mas, para isso, precisamos deixar de enxergar o turismo apenas como uma atividade ligada às viagens.

Turismo é economia.

Turismo é trabalho.

Turismo é cultura.

Turismo é desenvolvimento.

E quanto melhor conseguirmos planejar nossos destinos, preparar nossas pessoas e transformar o potencial de cada território em experiências de qualidade, maior será a capacidade do turismo de contribuir para um Brasil mais próspero e mais desenvolvido.

Na Turismo & Ideias, acreditamos que o futuro do turismo brasileiro passa justamente por essa visão: olhar para cada território não apenas pelo que ele já oferece, mas pelo que pode construir.

Porque desenvolver o turismo não é simplesmente trazer mais pessoas para conhecer o Brasil.

É criar condições para que o Brasil inteiro possa se beneficiar das pessoas que vêm conhecê-lo.