Anima Mundi faz 20 anos com novos nomes da animação

“Cadê o povo?”, perguntaram-se os diretores do Anima Mundi ao fazer a seleção das 80 animações brasileiras que participam (com 368 internacionais) da 20ª edição do festival, que começa nesta sexta (13) no Rio e chega a São Paulo no dia 25.
“O povo”, aquela geração de animadores que se criou no festival e que participava regularmente com curtas –como Pedro Iuá, Diogo Viegas, Rosária, Pedro Ivo–, não deu as caras neste ano.
“Está todo mundo nos estúdios, fazendo séries para a TV, comerciais, longas”, diz Aída Queiroz, uma das diretoras do festival. “É um movimento normal, o pessoal que já anima foi sobreviver de animação. E que bom que esteja dando para sobreviver!”
A saída do time de “sócios-atletas” abre espaço para que a próxima leva de animadores venha a campo mostrar suas técnicas e obras: a competição de curtas tem nomes como Amir Admoni (“Linear”), Natalia Cristine (“Cafeka”) e Rogério Vilela (“Mentiras São Contadas em Julho”).
Esse movimento comprova algo que o Anima Mundi, iniciado em 1993, já vinha indicando (e estimulando) havia anos –o forte desenvolvimento da animação no Brasil, coroado nos últimos anos com crescentes incentivos públicos e com a explosão das séries infantis para TV.
 
“Várias frentes estão se abrindo, hoje em dia tem produção de longas, estúdios fazendo séries, até a parte acadêmica, animadores fazendo mestrado e doutorado”, diz Marcos Magalhães, outro dos diretores do Anima.
Ainda com esse cenário, o Brasil continua sendo o país com mais inscritos no festival: foram 427 dentre as 1.623 obras enviadas –número recorde, estimulado pelo fato de que o curta vencedor do júri profissional deste ano passa a integrar a pré-seleção dos indicados ao Oscar.
RETROSPECTIVA E PAPO
Sintomaticamente, parte da geração anterior do Anima terá seus trabalhos exibidos na retrospectiva que comemora as 20 edições do festival e que terá sessões com os curtas brasileiros vencedores de 1998 a 2011, como “Sushi Man”, de Pedro Iuá.
O festival também aproveitou a efeméride para convidar para o Papo Animado –sessão em que um animador apresenta um apanhado de sua obra e conversa com a plateia– o fluminense Marcelo Marão, participante de primeira hora e premiado mais de uma vez.
“Tomamos o Marão como um símbolo do animador que cresceu com o Anima”, diz Magalhães. “Sempre valorizamos a proposta dele de fazer filmes independentes, coletivos, de apostar em coisas que o mercado pode rejeitar.”
20º ANIMA MUNDI
QUANDO: de sexta (13) a 22/7, no Rio; de 25/7 a 29/7 em São Paulo
ONDE: Centro Cultural Banco do Brasil (Rio e SP), Memorial da América Latina (SP) e outros locais; programação completa em www.animamundi.com.br
Selma Cabral
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