Ainda dá tempo de curtir o São João no Norte e Nordeste:

As melhores:
 
São Luís, Maranhão
A dança dos escravos

Depois de passarem boa parte do ano bordando fantasias e ensaiando coreografias, quando junho chega, os mais de 300 grupos folclóricos invadem as ruas de São Luís para encenar a antiga história de Catirina. Segundo  a lenda  a escrava  estava grávida e ficou com desejo de comer língua de boi e seu marido, pai Francisco, não hesitou em matar o animal mais bonito da fazenda. Para se vingar dele, o patrão colocou vaqueiros para persegui-lo. Depois de muita reza dos índios e feiticeiros, o boi ressuscitou e o episódio virou uma grande festa. A cada ano, Catirina e pai Francisco passeiam pelas ruas maranhenses homenageando a cultura popular. A festa ainda tem vários sotaques – matraca, orquestra, zabumba, baixada e costa de mão –, mas o que mais importa é a batida cadenciada de pandeiros, maracás e tantãs, muitas vezes acompanhados de instrumentos de corda e sopro, que impregna São Luís de história e encantamento.
 

Campina Grande, Paraíba
Enquanto Caruaru diz que faz o melhor São João do Brasil, Campina Grande brada que a sua festa junina é a maior do mundo. A concorrência entre as cidades nordestinas se justifica. No interior da Paraíba, o São João ocupa o Parque do Povo, uma área com mais de 40 mil m² decorada com fogueiras, bandeirinhas e balões. Nesse imenso espaço, além de barraquinhas que oferecem comidas e brincadeiras típicas, tem o Sítio São João, cópia de uma casa sertaneja que homenageia as comunidades que vivem no sertão. Mas a ordem em Campina Grande é arrastar o pé. Durante os 30 dias de festa – normalmente, quando julho começa, ainda há festejos por lá – é o forró pé-de-serra que dita o ritmo dos visitantes. Não tem quem fique parado no forródromo, salão em forma de pirâmide e onde, toda noite, apresentam-se grupos de música regional e trios de forró. Para recuperar a energia, uma dose de quentão, ou vinho quente, e um pedaço de bolo de milho.

Caruaru, Pernambuco

Ao embarcar no Trem do Forró, em Recife, já é possível sentir o alvoroço que envolve a comemoração do São João, em Caruaru. Em cada vagão, grupos tocam forró pé-de-serra e o som do triângulo convida o turista a degustar um pouco do que é a grande festa junina da cidade. De fato, no início de junho, a alegria já está nas ruas: bandeirinhas enfeitam cada canto e não falta diversão. Uma fogueira de mais de 12 metros de altura ilumina as noites, e vale a pena passear pelo Alto do Moura. Distante 7 km do centro, o vilarejo concentra mais de mil artesãos que transformam o barro em figuras típicas do Nordeste. Durante o São João, o lugar transforma-se: trios de forró e bandas de pífano animam as ruas, os ateliês ganham decoração junina e os restaurantes oferecem guloseimas nordestinas.

Mossoró, Rio Grande do Norte
Lembranças do bando de Lampião…

As festas juninas do Nordeste não evocam apenas os santos católicos que as regem. A que acontece em Mossoró, distante 270 km de Natal, prova que a cultura brasileira é repleta de boas histórias. No Mossoró Cidade Junina, as quadrilhas e os shows de forró atraem grande número de turistas, mas é o Chuva de Bala que enfeitiça os visitantes. O espetáculo, encenado ao ar livre por mais de 55 atores, conta a história da frustrada invasão do bando de Lampião à cidade. Ainda era princípio do século passado quando isso aconteceu e até hoje o lugar da batalha é preservado. Tanto que é lá, na Capela de Vicente, que a festa ganha força durante o mês de junho.

Estância, Sergipe
A festa da pólvora

No sul de Sergipe, fica Estância, uma das cidadezinhas mais antigas da região. Quando o dia 31 de maio nasce, a população aguarda ansiosa a temporada junina. Por lá, a festa tem hora para começar, mas não para acabar. À noite, é o momento de brindar a chegada do mês da festa de São João. Uma bandeira com a imagem do santo é hasteada no centro da cidade, enquanto na porta de casa uma fogueira arde, iluminando as ruas e a passagem dos músicos que tocam xaxado, baião e xote. Também é nessa ocasião que a cidade transforma-se em um canteiro de busca-pés e espadas de fogo. O famoso fogo de artifício que corre rente ao chão “busca” os pés dos visitantes, animando a tradicional noite.

Parintins, Amazonas
As lendas comandam a arena

É fácil passear pela pequenina Parintins, na ilha de Tupinambarana, no Amazonas, e encontrar crianças vestidas de boi, batendo tambor e entoando cantigas regionais. Mas elas não escolhem qualquer animal. Suas fantasias são do boi Caprichoso ou do Garantido, que comandam o Festival Folclórico de Parintins. A cidadezinha banhada pela força do rio Amazonas é movida pela festa do boi-bumbá, que acontece no último fim de semana de junho. Durante esses dias, o vermelho, do Garantido, e o azul, do Caprichoso, colorem a ilha e a dividem em duas. A rivalidade é grande e a disputa é comemorada com um espetáculo no bumbódromo, estádio ao ar livre com formato de cabeça de boi. Carros alegóricos gigantes, fantasias repletas de plumas e brilhos invadem a arena ao som de toadas, representando lendas indígenas. A cada noite, a festa é grandiosa, a alegria no bumbódromo contagia e é difícil escolher para que boi torcer.

Porto Seguro, Bahia
Em junho, o forró domina o axé

Desde 2010, a badalada Porto Seguro, na Bahia, promove um novo São João. A festa junina que, como o Carnaval e o Ano Novo, acontecia na Passarela do Álcool, ganhou um novo endereço, a rua do Mangue. A charmosa viela, contornada por casas antigas, acolhe a comemoração. Enquanto nas barraquinhas alguns moradores servem mungunzá, o tradicional doce de milho com leite de coco, e as crianças divertem-se com a pescaria, outros recebem os turistas que desejam conhecer as velhas construções. Nas noites iluminadas pela fogueira ainda acontece o Festival de Quadrilhas, quando grupos da cidade convidam quem está por perto a dançar. E, se dançar é a ordem, quem procura um parceiro para “forrozear” não vai ficar parado. 

 Boa festa junina pra todos, seja em um desses lugares, no seu bairro, na sua ciadade ou na sua casa, porque não? 

Selma Cabral
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